2.25.2011

estúpido.

a vida é coisa estranha
nunca pensei amar os teus defeitos
mas a verdade é que sim,
são essas imperfeições tuas
que fazem perfeita a vida minha.

adoro a tua arrogância,
o teu grunhido de escárnio,
a tua honestidade exagerada,
adoro-as tanto quanto adoro
o teu sorriso envergonhado
e o teu olhar, azul-esverdeado.

2.20.2011

titanic

Não li nenhuma crítica sobre o filme Titanic. Também não preciso para saber com certeza que é impessoal. Depois de 14 anos este filme continua a tocar corações, incluindo o meu. Segundo a minha mãe vi-o pela primeira vez quando tinha quatro anos, e lembro-me de chorar bastante. Aí nasceu a minha paixão pelo DiCaprio. Mas como é claro o DiCaprio não era o Jack. A minha mãe costumava chamar-me de Rose, cada vez que víamos o filme. E eram frequentes essas vezes pois tínhamos a video-cassete lá em casa. Mas depois de vir para Portugal nunca mais vi o filme. Ou vi, mas poucas vezes. À medida que ia envelhecendo o meu medo por romances tornava-se maior. Não sei porquê, talvez porque observava uma plenitude que, para mim, era inalcançável. Não porque eu não tivesse a capacidade de amar alguém tão profundamente, mas o exacto oposto - eu não achava que houvesse alguém que me fosse retribuir todo o amor que eu tinha para dar. E quando digo amor, não é o sexo, é o simples sentimento, sem um beijo sequer. Só o olhar. Eu nunca pensei no amor como algo mais do que sentir um abraço aconchegante que irá durar para sempre. Mas durante a minha vida, sempre amei de todo o coração e nunca fui retribuída. Acho que a vida nunca me deu um amor porque nunca soube esperar por ele. Ou porque o descobri cedo de mais. Ou talvez porque o amor não seja para mim. E foi por isso que eu por um tempo fingi que ele não existia. Nada de romances. Titanic? Nem pensar. Já quis tanto preencher este vazio enorme que tenho em mim, mas em vão. Apenas se tornou maior. E desisti de procurar onde não existe. Aliás, desisti de procurar. Não vou dizer que existe o tal rapaz que virá e preencherá o meu coração, porque eu não sei se é ele. Mas espero sim, encontrar, mais cedo ou mais tarde, nesta vida ou na outra, alguém que partilhe a mesma definição de amor do que eu. E hoje vi o Titanic, com a perfeita noção de que todas estas conversas, estes amigos, estes encontros são em vão. Eu não vou esperar sentada, a olhar para esquina, à espera que seja aquele tal, e por uma evidência ou outra descubro que não é. Vou caminhar, com a mala às costas e o coração aberto. Eu sei que, quando ele chegar, ele não vai precisar que eu esteja à espera. Ele vai correr até mim, e saber quem sou. Nesse momento, eu saberei quem ele é. Titanic, obrigada por não teres sido apenas um grande navio, ou um famoso filme. Obrigada por todas as lágrimas que verti por ti. Ajudaste a fazer o caminho que hoje percorro. Adeus Jack e Rose, espero ter um amor tão grande como o vosso. Obrigada.




2.17.2011

Por alguma razão que possivelmente desconheço hoje estou com uma aversão aguda a música. Acho que só o barulho de fundo da televisão é que me impede, por pouco, de ficar sozinha com os meus pensamentos. O problema da música é exactamente esse - ainda me deixa mais pensativa. 


2.03.2011

.

é engraçada a vida,
como vai e como fica
a saudade e a esperança, ou vice
versa, saudade estranha,
esperança vã.
para no final encontrar-te
e não ter nenhum dos dois.