3.23.2016

Geração Adventista em Missão 2016

Após um intervalo de um ano, o Geração Adventista em Missão, ou apenas Geração voltou! Desta vez com novos oradores, novos temas. Este ano falou-se sobre "ir aos confis do mundo"



Foram tantas coisas novas que se aprenderam, e muitas que se relembraram! Tenho com especial carinho as mensagens de um orador em particular, pois em todas as suas palestras senti como se estivesse a falar apenas comigo! Agradeço a Deus pela oportunidade de ter ido ao GAM e espero que possa sempre ir e voltar de lá abençoada.

Eu, a minha prima e uma amiga no Geração

O Geração realizou-se novamente na cidade de Aveiro, onde também tive oportunidade de visitar uma amiga que não via desde o primeiro ano de faculdade. Foi muito giro conhecer além da cidade, os arredores! Espero lá voltar!

A ria às 7h00 da manhã

Levo com carinho as memórias daquilo aqui vivido. Até breve :)

7.13.2014


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luís Peixoto

Hoje aviso-te
que ficarei para sempre
arquejando no teu corpo,
na orla infinita da tua mão,
no teu ombro, que é uma espada.
Na tua língua, que é a minha.
Só o teu coração saberá
se é
promessa ou ameaça,
mas ficarei para sempre
e basta.

E entre os dois – estranhamente -
termina o absurdo território do poder.
Aproximas-te:
água-deserto-mel,
e estendo-me
mel-deserto-água.
Não sei onde começas,
onde começo...
como a dança do golfinho no oceano.


Lourdes Espínola

Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Ganhámos juntos o que perdemos separados:
a luz incomparável, esta luz quase louca
da primavera, esta gaivota
caída dos ombros da luz,
e a leve, saborosa tristeza do entardecer,
como uma carta por abrir,
uma palavra por dizer…

Ganhámos juntos o que vamos perdendo
separados:
a alegria – inocente
cidade,
coração aberto pela manhã,
pequeno barco subindo
nitidamente o rio,

fumegando, fumando
com o seu ar importante de homenzinho…
E a ternura – beijo sobrevoando
o teu rosto fiel,
fogo intensamente verde sobre a terra,
intensamente verde nos teus olhos,
pequeno «nariz ordinário»
que entre os meus dedos protesta
e se debate.

Alexandre O'Neill


Deve haver um lugar onde um braço
E outro braço sejam mais que dois braços
Um ardor de folhas mordidas pela chuva,
A manhã perto nem que seja de rastos.

Eugénio de Andrade, in O peso da sombra 

Nunca falámos muito


(acho que nunca falámos nada)

e não sinto necessidade de começar agora. O que lhe poderia dizer?
-existem séculos e séculos de silêncio entre nós e, debaixo dos séculos de silêncio,
ocultas lá no fundo, se calhar esquecidas, se calhar presentes, se calhar apagadas,
se calhar vivas e a doerem-me, coisas que prefiro não transformar em palavras, coisas anteriores às palavras (...)

António Lobo Antunes

Pergunta-lhe se quer ver o canto onde dorme, mesmo ali ao lado. Ela diz: claro que desejo saber onde sonham os poetas.
Sobem por umas escadas que sobem muito depressa. Um quarto com uma cama e uma cadeira em madeira escura, um quarto de banho, uma cozinha pequenina.
Cabia tudo dentro da sala mais pequena da Quinta das Flores. E muitos livros espalhados pela casa num completo desarrumo. Em pilhas de várias altura no chão.
Algumas correm o risco de se desmoronarem. Livros em estantes em que o espaço entre os livros colocados perpendicularmente e a tábua superior é ocupado por livros
deitados uns sobre os outros. Naturalmente a descansarem do enorme esforço que foi escrevê-los. Mil dias para escrever um livro, dez dias para o ler.

Pedro Paixão in Rosa Vermelha em Quarto Escuro 

4.01.2014

Um amor é sempre uma coisa triste

É mesmo. A morte de um amor é ainda pior. E o que não presta é quando morre algo que não era amor mas que alimentamos e vivemos na nossa cabeça. Mas afinal de contas o que é o amor? o Amor, com letra grande, é Deus. O amor, com letra minúscula, é o meu devaneio diário e a perdição para que vivo a cada dia. Digamos que não tem grande coisa que se aproveite a não ser o sentimento de morte e de dor e a ânsia de sangrar para o papel. Digamos que não leva a produtividade nenhuma e muito menos ao aumento de amizades. Eu afirmo com a maior das certezas, os poetas são tristes e encontram a sua alegria na tristeza dos versos que escrevem. Alegria não, satisfação. Aliás, alegria mesmo, que são loucos sádicos ao ponto de se machucarem só para escrever. Digo isto porque quem sabe que é errado e faz na mesma é porque não se importa de sofrer. Devo dizer que falo por experiência própria. Nunca esquecendo que «o coração do homem é enganoso», e tantas vezes nos guiamos por ele. Não está na altura de deixar Deus conduzir? 

Eu preciso de ajuda, o mundo todo sofre do mesmo mal que eu. Somos uma pedra a rolar uma colina achando que estamos a rolar porque queremos mas se não pegarmos na mão de Deus caminhamos todos para um mesmo fim. E ninguém pensa nisso, ninguém se lembra disso. E às vezes quem sabe, finge esquecer-se. Que mal que estou na vida. Meu Deus, tem misericórdia de mim, que sou mesmo pecadora.


3.10.2014

Geração Adventista em Missão 2014

Bom dia! Está sol e o dia está lindo. A partir de meio da semana passada começou a fazer bom tempo.
Fui ao GAM, foi uma experiência muito interessante. Atingiu-me muito a nível emocional e espiritual, mas tenho a certeza que saí de lá renovada. Noto diferenças na maneira como estou a lidar com os outros e na minha própria conduta quando ninguém está a ver.
,
O primeiro dia foi uma sexta, embora eu não tendo assistido ao programa em si, marcou-me. A caminho do Porto encontrei um colega de turma que mora no mesmo sítio para onde eu me estava a dirigir e convidou-me para jantar. Foi muito simpático da parte dele, os pais também foram super simpáticos, pensei para mim que existem pessoas boas que infelizmente não conhecem a Verdade.

O segundo dia foi um Sábado, recheado de palestras e programas, onde revi amigos, chorei, pensei muito muito sobre a minha vida e sobre o que andava a fazer. Estava a tomar conta da minha prima por isso não me diverti tanto quanto gostaria, mas vi pessoas muito queridas para mim, tanto de cá quanto de lá e isso fez-me feliz.

No Domingo fiz voluntariado no refeitório e o meu amigo Xavier ofereceu-me um pão doce, muito muito saboroso! Fiquei bastante contente porque há pessoas que nos fazem felizes nas pequenas coisas. Neste dia decidi não ir embora e continuar até ao fim da Convenção, a minha querida priminha queria muito ficar e também dava jeito à mãe, por isso fiquei. Chorei muito neste dia, orei também. Foi bom, importante para reavivar aquilo que já sabia.

Na Segunda fui assistir a mais seminários e fazer Evangelismo Porta a Porta. Não correu como eu esperava, mas trouxe o material e com a ajuda e a força que Deus me pode dar, pretendo fazer aquilo que tenho que fazer aqui. Principalmente que o meu comportamento transmita tudo aquilo que eu aprendi quando abri a bíblia.

Decidir ter uma vida diferente não basta, é preciso, de facto, tê-la.

Eu e a minha querida prima Bruna

 O Ivo, um rapaz que conheci quando voluntariei no CAOD. Para quem conhece a sua história sabe quão profunda é esta fotografia. Deixou-me sem palavras.

Pequenos Grupos de Oração, ao fim do dia juntávamo-nos para discutir assuntos que foram abordados nas Palestras. Foram momentos verdadeiramente abençoados.

Eu e a minha querida Valy, a orar. E que oração poderosa!


(c) Justus Dg 2014


12.25.2013

Reflexão Natalina

Não recebi assim nenhuma prenda de Natal. Acho que foi justamente por isso este ano que percebi o quanto o Natal é uma época consumista. O eu não ter recebido um presente embrulhado em baixo da árvore devastou-me. No ano passado os meus pais deram-me uma viagem à Suiça e no outro ano uma máquina fotográfica. Este ano já me deram um portátil, um casaco e umas botas novinhas. Mas o facto de não ter desembrulhado nada, ou pelo menos de lhes ter pedido algo e eles não me darem (um telemóvel, que o meu está todo partido) deixou-me extremamente incomodada. Como é óbvio não fiz birra mas reparei que me estava a tornar extremamente fútil. Não sei porquê agora tenho pensado imenso em roupa e em coisas que não eram nada o meu género. Será que são os ares da capital? Estou a estranhar-me. A considerar-me fútil até, o que me traz bastante agonia, as coisas são todas cinza. Não as levamos para lado nenhum... por isso não sei o que se passa comigo. Preciso de fazer umas resoluções de ano novo muito importantas para mim, limpar o quarto e o coração. Estou um pouco triste. O Natal faz-me lembrar amores falhados.


aqui fica um vitelo estiloso. feliz natal.

12.22.2013

Reflexão de Madrugada

Há contas que jamais poderão ser saldadas. Magoar alguém não tem revés. Não tem «estamos quites». Nunca estamos quites. Não existe uma régua para medir o quanto alguém nos magoou. Já muitas pessoas me magoaram. E quantas é que eu magoei? De duas tenho a certeza, mas terão sido só essas? Até que ponto me exponho para ser magoada?

Não vale a pena saldar dívidas. Marcar encontros com o passado, combinar fins de semana, cafés, passeios. É tudo uma delonga daquilo que é o terrível fim: estamos mortos.

Combinar um café com o passado só adia o corte e prolonga a dor. Não seremos, nunca. Então para quê combinar encontrarmo-nos, continuar a conversar se as coisas nunca vão sair dali? Ou se saírem, é para pior? Para quê alimentar algo do qual nem se quer temos a certeza que queremos?

Tenho pensado. Uma vez li uma frase que dizia qualquer coisa como "se os ex namorados voltam a ser amigos, ou é porque nunca se amaram ou é porque ainda se amam". Tenho vindo a comprovar isso. Não digo que seja impossível, mas é difícil estabelecer uma relação de amizade com alguém que já se esteve tão íntimo, tão próximo. Ou o amor foi tão frio que se enterrou. Ou ainda está à espera de ser reaceso, porque é tão difícil aceitar a ideia de que seremos apenas amigos de alguém que nos imaginamos a passar a vida com.

Eu sou incapaz de levar um relacionamento a sério se eu não achar aquela pessoa indicada para casar. Creio que assim é que deve ser, pois leva-nos a uma escolha muito mais seletiva e cuidada ao mesmo tempo que a  nossa dedicação é muito mais aprumada. 


Acho sinceramente, que nunca antes a minha vida amorosa estava tão confusa. Sinceramente eu sei que o melhor para mim agora era estar sozinha, mas eu já me embrenhei em tanta coisa que saltar fora só irá fazer mais danos. Já magoei quem magoei antes e vou voltar a magoar porque quando penso, sou egoísta. E não o deveria ser. Quero-os a todos para mim mas sou só uma e só posso estar com um de cada vez. Mas eu vejo romance em cada canto e tudo dava uma história de amor. 

E no final, não sobram amigos..., sobram restolhos de relações falhadas e poemas borrados com lágrimas.

(escrito em Lisboa)

12.21.2013

Atualizações

Parece que eu nunca aprendo com os meus erros. Incrível que o meu regresso a casa faz-me lembrar tantas coisas.

O 12º ano. Onde, pela incontável vez achei de facto ter conhecido o homem da minha vida - e foi de facto o único relacionamento duradouro que tive -, toda a minha casa me faz relembrá-lo, até a cama dos meus pais, o tapete, os quadros na parede. E de pensar que ele não teve medo nenhum de me magoar. Nunca. Pediu-me perdão para me ferir outra vez. Não choro eu nem estou triste. Apenas sinto uma coceira, como se um membro meu tivesse sido arrancado. Mas o nervo continua lá.

Podia ser uma conclusão, mas ainda quero dizer algo mais. Eu mereço. Tenho é que ficar sozinha. Melhor, solteira. Sem rapazes. Para pensar. Para escolher bem. Para me construir. Pois de 18 anos de vida, ainda não sei bem que tipo de criatura sou. 


Mudando de assunto. Tenho muitos assuntos pendentes. Alguns menos que outros. Este do meu ex espero estar resolvido. Não estou zangada nem triste mas já vi que não vale a pena. Nem se quer me vou voltar a aborrecer, não sei para quê dar uma segunda oportunidade a quem não soube valorizar a primeira. É e há-de ser assim, o problema é que eu vejo muitos filmes e pouco oiço aquilo que o meu pai me diz. Há raros livros que me dizem a verdade, caso é o da Pearl Buck. Abençoada mulher. Nicholas Sparks não leio. Nada contra o senhor, as suas histórias fazem-me sempre chorar - são demasiado perfeitas para existirem. E não me tomem como alguém que não acredita no amor, porque eu acredito e sei que existe - tomem-me como alguém que já viveu o suficiente para perceber que o mundo não é o conto de fadas com que sempre sonhamos. Ou pelo menos que eu sempre sonhei...

Mas é bom estar de volta a casa, estar com os meus amigos. Olhar para a minha forma no meu espelho. Ainda não peguei nos meus livros mas hei-de lê-los. E alguns hei-de os levar lá p'ra cima. Ainda não decidi onde quero viver, por isso é que não sei se devo levar logo tudo ou não. Logo se vê. 

Bem, amanhã vou ver as minhas primas. Elas eram para vir cá mas o Ómega (o meu gato de Vila Real) está em casa e a dar-se pessimamente com o Fígaro (aka Nino, o gato de Lisboa - que já não considero meu) então tenho medo que um dos gatos de doido que está se pegue com as meninas, que o Ómega a mim já me cortou toda. 

É isso de novidades. Voltarei em breve, possivelmente de madrugada - com a lua lá no alto.


(escrevi isto na minha cama, em Lisboa)

12.18.2013

Universidade

Já não posto há um bom tempo. Falha minha que nem tive consideração pelos meus queridos leitores, ainda que imaginários, de os informar que entrei no mui nobre curso de Engenharia Agronómica na mui nobre Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. é isso mesmo champs, estou a morar em Vila Real.

Esta experiência universitária está a ser enriquecedora ao mesmo tempo cansativa, estudar dá trabalho. Quinta feira tenho uma frequência de Histologia Vegetal e ainda não percebi bem para que serve o Colênquima e nem como raio é que diferencio uma Gimnospérmica de uma Angiospérmica. As Pteridófitas são definitivamente as mais fáceis de distinguir por serem as mais desorganizadas. Se eu fosse uma planta com certeza seria uma pteridófita, tipo um feto ou assim.

futebolada com os engenheiros
 jantar de curso
 amostra
 praxe
 miss e mister caloiro
nossa senhora da penha
 eu :3
 mennie, sol & mada
 quinta de vilalva
 ómega
 sol, dani & mada
 sol na quinta de vilalva
 magusto de vilalva

4.10.2013

Escrevi o teu nome em todos os lugares,
procurei-te sem fim nos dias mais incertos,
tive sede de ti na solidão dos bares
e fome do teu corpo em todos os desertos.

Fui soldado e lutei em busca do teu rosto,
que vi impresso a fogo em todas as esquinas.
Deixei que me queimasse a dor do sol de Agosto
e mergulhei sem medo em plagas submarinas.

Para te ter venci as longas avenidas
de todas as cidades que ninguém ousou.
E por ti viverei largos anos de vida
na ânsia de te dar tudo o que tenho e sou.

Torquato da Luz

3.21.2013


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira
Obra Poética 1948-1988